Hapvida é condenada após negar tratamento de quimioterapia a paciente com câncer raro

Médica ainda apelou ao Convênio Hapvida dizendo que o advogado poderia morrer

No Hospital Oswaldo Cruz, em São Paulo, uma trágica batalha se desenrola para Rafael de Sá Belchior, um advogado de 36 anos diagnosticado com um tumor raro no rim que se espalhou para o fígado. O sarcoma de Ewing de partes moles, um tipo de câncer que afeta apenas um em cada 2 milhões de pacientes com câncer, está desafiando Belchior em uma luta pela vida que vai além da doença.

Belchior foi orientado por seus médicos a buscar tratamento no Hospital Oswaldo Cruz, uma referência em tumores raros e com uma equipe especializada em oncologia. Entretanto, mesmo com uma decisão judicial em seu favor, o plano de saúde Hapvida NotreDame Intermédica tem negado a ele a realização de quimioterapia no local, onde ele possui cobertura e já havia passado por cirurgia e iniciado o tratamento.

A história de Belchior é marcada por obstáculos e desafios financeiros. Ele relata que a Hapvida emitiu guias de autorização para a quimioterapia, mas não efetuou o pagamento ao hospital, deixando-o com contas a pagar e tendo que arcar com custos adicionais, como injeções necessárias para estimular a medula após a quimioterapia.

Mesmo com a obtenção de uma liminar judicial em seu favor, que determinava que a Hapvida cobrisse todos os custos do tratamento no Oswaldo Cruz, incluindo medicação, internações e procedimentos por complicações da quimioterapia, a operadora de saúde tem negado repetidamente os pedidos de Belchior, levando-o a custos financeiros e emocionais elevados.

Rafael de Sá Belchior no Hospital Oswaldo Cruz
Rafael de Sá Belchior no Hospital Oswaldo Cruz - Arquivo Pessoal

A situação atingiu um ponto crítico quando, após esperar por mais de 11 horas pela autorização para a quimioterapia, Belchior teve que pagar uma caução de R$ 15 mil ao hospital para poder dar continuidade ao seu tratamento. Além disso, uma internação emergencial foi negada pela Hapvida, colocando a vida de Belchior em risco e forçando-o a buscar ajuda judicial e policial para garantir seus direitos básicos de saúde.

Enquanto aguarda um novo julgamento e continua lutando pela sua vida, Belchior reflete sobre a importância de receber apoio e assistência em um momento tão crítico. Sua luta não é apenas contra a doença, mas também contra um sistema de saúde que deveria estar ao seu lado nessa jornada difícil e desafiadora.

O plano recorreu da liminar e perdeu. Em agosto, a liminar virou sentença. A Hapvida recorreu e aguarda novo julgamento.

Trecho da sentença obrigando a Hapvida a cobrir o tratamento de Belchior

Trecho da sentença obrigando a Hapvida a cobrir o tratamento de Belchior 

Justiça mandou Hapvida pagar

Mesmo com a liminar, a Hapvida negou a quimio de junho. "A Hapvida recebeu o pedido, deixou em análise até outubro, quando negaram oficialmente. Só soube disso porque recebi a nota de cobrança do hospital", diz o paciente.

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