Polêmico projeto do restaurante zepelim no Recife Antigo é suspenso

 

O projeto de construção de um restaurante em formato de zepelim sobre prédios tombados em frente ao Marco Zero, no Bairro do Recife, foi suspenso por tempo indeterminado. A decisão foi anunciada nesta sexta-feira (15) pelo REC Cultural, responsável pelo empreendimento. Em comunicado, o grupo empresarial informou que adiará a discussão com a sociedade sobre a ocupação da cobertura dos imóveis.

A proposta gerou polêmica e dividiu opiniões entre os que apoiam a iniciativa como forma de revitalizar espaços ociosos e os que a desaprovam, argumentando sobre a possível descaracterização urbanística e histórica do local. O REC Cultural afirmou em nota que reconhece a importância da paisagem para o imaginário coletivo, destacando o Marco Zero como parte da identidade da sociedade recifense. O grupo reiterou o compromisso com um processo legítimo e democrático para qualquer alteração na paisagem.

Os dois edifícios foram adquiridos pela empresa EBrasil, do setor de energia, entre 2022 e 2023, para a construção do REC Cultural, um centro cultural financiado por recursos privados. O projeto inclui a transformação dos prédios em um espaço com auditório, salas de atividades, biblioteca, loja de design e arte regional, café, além de áreas para exposições permanentes e temporárias.

A suspensão diz respeito apenas à proposta do restaurante na cobertura dos imóveis, não afetando o projeto do centro cultural como um todo. O grupo empresarial enfatizou que continua firme no propósito de instalar o centro cultural e restaurar os imóveis no Marco Zero. Todos os trâmites de licenciamento foram conduzidos junto aos órgãos competentes, e a empresa planeja solicitar a licença de instalação nos próximos dias. Qualquer intervenção será precedida por um processo de consulta pública nos meses seguintes.

Nesta sexta-feira (15), uma reunião pública foi realizada no Museu da Cidade, no bairro de São José, para discutir o projeto. A iniciativa, promovida pela vereadora Cida Pedrosa (PCdoB), contou com a presença de arquitetos e representantes da Secretaria de Política Urbana e Licenciamento do Recife, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e do REC Cultural.

O projeto submetido ao Iphan engloba a restauração e intervenção nos edifícios localizados nas Avenidas Rio Branco e Marquês de Olinda, formando um lote triangular. As obras de restauração incluem pintura, reparo de portas, janelas, estruturas metálicas e vidros, além da remoção de mofos e infiltrações, entre outros.

A controvérsia em torno do projeto se concentrou na construção do restaurante em formato de zepelim sobre as coberturas das edificações. A autorização para ocupação dos espaços foi concedida pelo superintendente do Iphan em Pernambuco, Jacques Ribemboim, apesar dos laudos técnicos contrários elaborados pelo próprio instituto. Outras entidades, como o Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (Icomos) e o Instituto dos Arquitetos do Brasil, criticaram publicamente a decisão do superintendente.

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