Ministério da Saúde divulga dados inconsistentes sobre a dengue

 

O Ministério da Saúde está sob críticas devido à divulgação de dados considerados inconsistentes sobre a letalidade da dengue em 2024, além de questionamentos sobre a alocação de recursos para estados e municípios em meio a emergências sanitárias.

Embora o Ministério afirme que a letalidade da doença neste ano é inferior à de 2023, especialistas alertam que a comparação é feita com base em informações ainda não consolidadas, com mais da metade dos óbitos em investigação.

A ministra da Saúde, Nísia Trindade, mencionou uma taxa de letalidade de 0,3% dos casos, menor que a do ano anterior (0,7%), porém com uma leve alta em relação à semana anterior (0,2%). Especialistas como Alexandre Naime Barbosa, da Sociedade Brasileira de Infectologia e Unesp, destacam que os dados de 2024 não são adequados para comparação, já que as informações de mortes de 2023 já estão consolidadas.

Com mais de 500 mortes confirmadas e outras em apuração em 2024, o Brasil superou os casos prováveis do ano anterior. Esta discrepância levanta preocupações sobre a precisão dos dados apresentados pelo Ministério.

O epidemiologista Wanderson de Oliveira ressalta que a letalidade da dengue é um indicador complexo, sujeito a variáveis como subnotificação de casos leves e qualidade do sistema de saúde. Oliveira destaca a necessidade de uma investigação aprofundada sobre as causas das mortes.

Além disso, a demora na atualização dos dados dificulta o acompanhamento preciso da situação epidemiológica, tanto a nível nacional quanto local.

Quanto aos repasses emergenciais, o Ministério da Saúde anunciou um aumento para R$ 1,5 bilhão, porém, a verba ainda não está disponível no orçamento da pasta. Técnicos do Ministério afirmam que o valor anunciado é uma estimativa do que pode ser repassado mensalmente, e apenas uma fração foi liberada até o momento.

Os critérios para a liberação da verba extra incluem a declaração de emergência em saúde pelos estados e municípios, assim como a apresentação de um plano de ação detalhado.

A portaria que estabelece as regras para o uso da verba extra destaca que ela deve ser direcionada para custeio do atendimento à população, proibindo investimentos em construções ou aquisição de equipamentos permanentes.

Essas medidas buscam conter o avanço da dengue e outras emergências em saúde, embora a eficácia dessas ações dependa da transparência e eficiência na alocação dos recursos.

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