9,3 milhões de brasileiros são analfabetos, diz IBGE

 

Os dados mais recentes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) sobre educação, divulgados nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelam que o Brasil ainda enfrenta um cenário desafiador no que diz respeito ao analfabetismo. De acordo com o levantamento, o país conta com 9,3 milhões de analfabetos, dos quais 8,3 milhões têm mais de 40 anos.

O critério utilizado pelo IBGE para definir o analfabetismo baseia-se na capacidade dos entrevistados em escrever um bilhete simples, resultando em uma taxa de 5,4% da população brasileira nessa condição. Embora tenha havido uma leve redução em relação ao ano anterior, quando a taxa era de 5,6%, o Nordeste permanece como a região com a maior proporção de analfabetos, com 11,2%, em contraste com os 2,8% do Sul e os 2,9% do Sudeste.

Adriana Beringuy, coordenadora da pesquisa no IBGE, destaca que esse indicador continua em queda, com uma variação estatisticamente significativa. A redução observada, de 5,6% para 5,4%, representa um progresso no combate ao analfabetismo, especialmente no Nordeste, onde há um considerável potencial para diminuir esse índice devido à concentração de pessoas nessa condição.

Os dados também evidenciam uma diminuição acentuada no número de analfabetos entre os mais jovens, com apenas 50 mil pessoas na faixa etária de 15 a 17 anos incapazes de ler e escrever, reflexo da universalização da educação básica. No entanto, o contingente expressivo de analfabetos com mais de 40 anos reflete os desafios enfrentados pelas políticas de Educação de Jovens e Adultos (EJA).

Beringuy aponta que a concentração de analfabetos entre os mais velhos está relacionada às melhorias na educação básica do país. Os investimentos em políticas de EJA, no entanto, têm diminuído ao longo dos anos, atingindo o menor patamar do século XXI em 2021, com apenas R$ 6 milhões, resultando na perda de meio milhão de estudantes entre 2018 e 2021.

Além disso, a Pnad revela que 46% da população com mais de 25 anos não concluiu a educação básica, destacando a necessidade de programas direcionados à Educação de Jovens e Adultos. Os motivos para o abandono escolar entre os brasileiros de 15 a 29 anos incluem trabalho (45%), falta de interesse (23%) e afazeres domésticos ou cuidado de pessoas (15%), sendo este último motivo significativamente mais citado por mulheres do que por homens.

Diante desse panorama, investimentos contínuos em políticas educacionais, especialmente na EJA, e uma abordagem integrada para lidar com os desafios do analfabetismo são essenciais para promover uma sociedade mais inclusiva e educacionalmente equipada.

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