Júri condena acusado de fazer chacina em Poção/PE

 

PERNAMBUCO - Após um julgamento que se estendeu por dois dias, o Conselho de Sentença da 4ª Vara do Tribunal do Júri da Capital emitiu nesta terça-feira (27) o veredicto de condenação para Wellington Silvestre dos Santos. O réu recebeu uma sentença total de 74 anos e 8 meses de reclusão em regime inicialmente fechado por sua participação em quatro homicídios qualificados. Os crimes ocorreram contra três conselheiros tutelares e a avó materna de uma criança de 3 anos de idade, na zona rural de Poção, em fevereiro de 2015.

Familiares das vítimas manifestaram sua satisfação com a condenação do primeiro dos sete acusados, quase nove anos após os eventos.

O Promotor de Justiça Daniel de Ataíde enfatizou que todas as evidências reunidas durante a investigação apontavam para a culpabilidade de Wellington. Ele ressaltou o papel do Ministério Público na defesa dos direitos humanos das crianças, destacando a dedicação dos conselheiros tutelares.

A Promotora de Justiça Themes da Costa expressou a sensação de dever cumprido e lembrou que Wellington foi identificado como o executor dos disparos, enquanto outros seis réus ainda aguardam julgamento pelo mesmo crime.

O julgamento ocorreu no Fórum Thomaz de Aquino, no Centro do Recife, com a participação do réu por meio de videochamada, devido à sua detenção em um presídio na cidade de João Pessoa, na Paraíba.

As diligências começaram na segunda-feira (26) com o depoimento do delegado Erick Lessa, que coordenou as investigações na época do crime. Os promotores questionaram a testemunha sobre as medidas adotadas durante o processo investigativo.

O réu negou as acusações durante seu interrogatório, alegando não conhecer os supostos mandantes do crime, Bernadete de Lourdes de Britto Siqueira e José Vicente Pereira Cardoso da Silva, que também enfrentam acusações no mesmo caso.

Os debates entre o Ministério Público e a Defensoria Pública, que representou o réu, foram concluídos na tarde da segunda-feira e a sentença foi proferida na manhã seguinte pelo magistrado Abner Apolinário da Silva.

O crime ocorreu em 06/02/2015, em Poção, quando o carro do conselho tutelar foi emboscado, resultando na morte de três conselheiros tutelares e da avó materna da criança de 3 anos.

Wellington foi denunciado pelos quatro homicídios qualificados, sendo acusado de integrar um grupo de extermínio. A denúncia apontou a avó paterna da menina como mandante do crime, visando garantir a guarda da criança.

Todos os réus estavam detidos no momento da denúncia, exceto Wellington, que estava foragido até sua captura em 25/10/2016. O processo foi transferido para a 4ª Vara do Júri da Capital após pedido de desaforamento.

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