Delação aponta Domingos Brazão como mandante da morte de Marielle Franco

 

O ex-policial militar Ronnie Lessa, acusado pelo assassinato da ex-vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, apontou Domingos Brazão, atual conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro, como um dos mandantes do crime, segundo fontes vinculadas à investigação. A revelação foi feita ao Intercept Brasil.

Marielle e Anderson foram mortos a tiros em uma emboscada no Rio de Janeiro, em março de 2018. O advogado de Domingos Brazão, Márcio Palma, ao ser contatado pela reportagem, afirmou não ter conhecimento da delação. Ele acrescentou que sua única fonte de informação sobre o caso é a mídia, já que seu pedido de acesso aos autos foi negado com a justificativa de que Brazão não estava sob investigação. Em declarações anteriores, Brazão sempre negou envolvimento no crime.

Embora o acordo de delação premiada tenha sido estabelecido com a Polícia Federal, é necessário que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) homologue a delação. O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, determinou que o caso seja concluído até março, quando o crime completará seis anos.


SAIBA QUEM É DOMINGOS BRAZÃO


Ex-vereador e deputado estadual por cinco mandatos consecutivos entre 1999 e 2015, Domingos Brazão, atual conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ), está envolvido em 25 anos de vida pública marcados por polêmicas, processos judiciais e suspeitas diversas. Recentemente, o site The Intercept Brasil publicou uma delação premiada feita pelo PM reformado Ronnie Lessa, apontando Brazão como um dos supostos mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco em março de 2018.

A denúncia apresenta a hipótese de que Brazão teria ordenado o atentado como vingança contra Marcelo Freixo, ex-deputado estadual pelo PSol e atual presidente da Embratur. Durante seu mandato na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Brazão teve conflitos com Freixo, com quem Marielle Franco trabalhou por cerca de 10 anos antes de se tornar vereadora. A homologação da delação ainda está pendente de análise e aprovação pelo Superior Tribunal Federal (STF), devido ao foro privilegiado de Brazão.

Ao longo de sua carreira, Brazão enfrentou acusações diversas. Em 2011, foi acusado de comprar votos por meio de uma ONG vinculada a ele durante a campanha para o cargo de deputado estadual. Em 2014, enfrentou um processo por ameaça à radialista e na época deputada Cidinha Campos. Durante uma discussão, teria dito: "Já matei vagabundo, mas vagabunda ainda não".

Sobre a acusação de homicídio, Brazão alega ter matado uma pessoa há mais de 30 anos, quando tinha 22 anos, em legítima defesa. Ele foi afastado do TCE-RJ em 2017, dois anos após assumir o cargo, e preso por suspeita de corrupção e envolvimento na Operação Quinto do Ouro, desdobramento da Operação Lava Jato no Rio. Em março de 2023, a 13ª Câmara de Direito Privado determinou seu retorno ao TCE-RJ por 2 votos a 1. Em 2019, Brazão foi citado nas investigações do assassinato de Marielle, sendo acusado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por obstrução de Justiça, mas a denúncia foi arquivada.

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