Ataque Mata Mais de 100 no Irã, Aumentando o Risco de uma Guerra Abrangente no Oriente Médio

Qassem Soleimani foi um influente general do Irã morto em um ataque com drones dos EUA; explosões aconteceram durante homenagem.


 Em um devastador ataque terrorista no Irã nesta quarta-feira, mais de cem pessoas perderam a vida, intensificando ainda mais as já elevadas tensões no Oriente Médio e aumentando o risco de um conflito regional mais amplo envolvendo Israel e seus adversários, especialmente o confronto em curso entre Tel Aviv e o grupo palestino Hamas.

O incidente alvo ocorreu durante uma cerimônia que marcava o quarto aniversário do assassinato, pelos Estados Unidos, do principal general iraniano, Qassim Suleimani, morto por um ataque de drone no aeroporto de Bagdá. Pelo menos 170 pessoas ficaram feridas no ataque.

De acordo com a agência de notícias Tasnim, ligada à Guarda Revolucionária do Irã, duas bombas controladas remotamente e escondidas em pastas foram detonadas: uma a aproximadamente 700 metros do túmulo de Suleimani e outra a quase 1 km, no cemitério de Kerman (820 km a sudeste de Teerã). Relatos iniciais indicavam 73 mortos, mas a contagem foi posteriormente revisada.

Embora a responsabilidade por este incidente provocativo, que ainda não foi reivindicado por nenhum grupo, permaneça incerta, não houve acusações direcionadas a Israel ou aos EUA. A falta de atribuição se deve à presença de inúmeros grupos anti-Teerã operando no país. Suleimani, ex-chefe da elite Quds, é considerado um herói nacional e desempenhou papel crucial na expansão militar do Irã por meio de procuradores no Oriente Médio, incluindo o Hezbollah libanês, o Hamas palestino e os rebeldes houthis do Iêmen.

Num movimento sincronizado, o recente assassinato do líder do Hamas, Saleh al-Arouri, por Israel em Beirute, adicionou-se à escalada da tensão. Isso marcou a ação mais significativa de Tel Aviv além de suas fronteiras desde o início do conflito, especialmente no território do Hezbollah.

A dupla provocação levou o líder do Hezbollah, xeque Hassan Nasrallah, a anunciar um raro pronunciamento na terça-feira, apenas o segundo transmitido pela TV desde o início do conflito.Imagem da procissão ao túmulo do general iraniano Qassem Soleimani logo após duas explosões atingirem o local, no Irã, em 3 de janeiro de 2024. — Foto: Iran Press via AFP

Apesar dos confrontos diários contínuos entre o Hezbollah e as forças israelenses, ambos os lados têm exercido contenção até o momento. As razões para isso incluem a presença ostensiva de dois grupos de porta-aviões em prontidão na região, preocupações com a perda de apoio popular numa guerra que não é bem vista pelos libaneses e a relutância do Irã em se envolver num conflito generalizado que poderia prejudicar ainda mais sua economia.

No entanto, esse equilíbrio delicado pode mudar rapidamente, com os confrontos contínuos ao longo da fronteira norte de Israel e retórica intensificada. A situação permanece imprevisível, enquanto ambos os lados avaliam seus próximos passos. Enquanto isso, os conflitos persistem em Gaza, onde a retaliação israelense resultou em mais de 22 mil vítimas, criando uma crise humanitária sem precedentes.

Os planos de Israel permanecem incertos, mas relatos sugerem um possível deslocamento de forças para o norte, visando selar de vez o sul do Líbano e empurrar o Hezbollah de volta para os limites da fronteira estabelecidos pelas Nações Unidas em 2000.

Se tal movimento ocorrer, o risco de escalada aumenta, dependendo da resposta do Hezbollah. Em outra frente secundária, mas de impacto global, os rebeldes houthis retomaram os ataques a navios de carga no Mar Vermelho, alterando rotas marítimas globais e levando os EUA a estabelecer uma força-tarefa para combater esses ataques. Agora, a questão é se a administração Biden irá intensificar suas ações e atacar as bases houthis aliadas do Irã, que travam uma guerra civil desde 2014 no Iêmen.

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