Renato Cariani se pronuncia sobre operação da PF


 foto colorida do influenciador Renato Cariani, alvo de operação da PF - Metrópoles

PF mira influenciador fitness em ação contra tráfico de drogas e desvio de 12 toneladas de químicos

Operação Hinsberg vasculhou a casa de Renato Cariani - que tem 7 milhões de seguidores - assim como a empresa da qual ele é sócio; influenciador não se manifestou sobre ofensiva. A Polícia Federal, o Ministério Público de São Paulo e a Receita Federal deflagraram nesta terça-feira, 12, uma operação na mira de uma organização criminosa que desviou 12 toneladas de produtos químicos para produção de drogas - cocaína e crack. Entre os alvos da ofensiva está o influenciador fitness Renato Cariani, que tem cerca de 7 milhões de seguidores nas redes sociais. Agentes vasculharam a casa dele, assim como a empresa da qual ele é sócio.

No vídeo o momento do cumprimento do mandado na mansão e fábrica de Cariani

Batizada Hinsberg, a ofensiva cumpre 18 ordens de busca e apreensão em endereços situados em São Paulo, Paraná e Minas Gerais. O inquérito apura supostos crimes de tráfico equiparado, associação para fins de tráfico, e lavagem de dinheiro. De acordo com a PF, o nome da operação faz alusão a Oscar Hinsberg, químico que percebeu a possibilidade de converter compostos químicos em fenacetina - principal insumo químico desviado no esquema.

Os investigadores apontam que o esquema de desvio de produtos químicos envolvia a emissão fraudulenta de notas fiscais por empresas licenciadas a vender produtos químicos em São Paulo. O grupo sob suspeita fazia vendas fictícias para multinacionais - as quais eram vítimas da fraude, figurando como compradoras dos produtos - e usava ‘laranjas’ para depósitos em espécie, como se fossem funcionários das grandes empresas.

A Polícia Federal identificou 60 operações dissimuladas, totalizando o desvio de cerca de 12 toneladas de produtos químicos: fenacetina, acetona, éter etílico, ácido clorídrico, manitol e acetato de etila.

De acordo com a corporação, tal montante dos produtos químicos desviados corresponde a mais de 19 toneladas de cocaína e crack prontas para consumo.

Ainda segundo o inquérito, os envolvidos no esquema usavam diferentes métodos para dissimular a origem ilícita dos valores recebidos, como ‘laranjas’ e empresas de fachada.

As informações da PF

  • A operação desta terça-feira é fruto de investigação iniciada em 2022 após a AstraZeneca, farmacêutica multinacional, ser notificada pela Receita Federal sobre notas fiscais faturadas em nome dela, com pagamento em dinheiro e não declaradas. A empresa alegou que nunca comprou o produto, que não tinha esses fornecedores e que desconhecia os depositantes.
  • Com essas informações, a PF identificou que entre 2014 e 2021 o grupo emitiu e faturou notas em nome de três grandes empresas de forma fraudulenta. As vítimas foram a AstraZeneca, LBS e Cloroquímica. Com tais notas, os criminosos “esquentaram” os produtos químicos que adquiriram.
  • Com as vendas fictícias para as multinacionais, o grupo usava “laranjas” para depósitos em espécie, como se fossem funcionários das grandes empresas farmacêuticas.
  • A PF identificou 60 operações, totalizando o desvio de cerca de 12 toneladas de produtos químicos: fenacetina, acetona, éter etílico, ácido clorídrico, manitol e acetato de etila.
  • As 12t desses produtos desviados renderiam mais de 19t de cocaína e crack prontas para consumo. O quilo do crack vale entre US$ 3 mil e US$ 5 mil (R$ 15 mil e R$ 25 mil). 
  • Segundo a PF, a Anidrol Produtos para Laboratórios, indústria química sediada em Diadema, na Grande São Paulo, que tem Renato Cariani como sócio, era usada nesse esquema criminoso.
  • A Anidrol teria emitido 60 notas frias em um período de seis anos, em valores que somam R$ 6 milhões, de acordo com a PF. As notas teriam servido para aquisição dos produtos citados acima e usados na fabricação de crack e cocaína.
  • A PF diz que o influenciador sabia do uso de produtos químicos comprados ilegalmente para produção de drogas ilícitas. A investigação interceptou mensagens trocadas por Renato Cariani e uma sócia em que dá demonostrações de que sabia estar sob investigação, inclusive sugerindo apagar provas e fugir.   
  • As pessoas investigadas responderão pelos crimes de tráfico equiparado, associação para fins de tráfico, bem como pelo crime de lavagem de dinheiro. Somadas, as penas podem ultrapassar 35 anos de prisão.
  • Batizada de Hinsberg, a operação desta terça-feira é realizada em conjunto com Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MP de São Paulo e a Receita Federal.

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