Empresas laranjas faturam milhões em contratos com o Exército

 

Empresas supostamente controladas por laranjas faturaram ao menos R$ 18,2 milhões em contratos firmados com o Exército Brasileiro no último ano. Levantamento aponta conexões entre os negócios, controladores e endereços compartilhados, resultando na participação conjunta de 157 licitações, algumas delas em concorrência direta entre si.

Embora formalmente registradas em nome de jovens de 20 e 21 anos, residentes no Rio de Janeiro e Santa Catarina, investigações indicam que essas empresas são geridas por um empresário e um contador que são alvo de múltiplas investigações da Polícia Federal por fraudes em licitações em órgãos públicos.

Os contratos assinados visavam fornecer itens como barracas, capacetes, cantis, coldres e outros equipamentos militares. Um ex-sócio admitiu à Justiça o uso de laranjas em colaboração com o contador dessas empresas, afirmando que são criadas para competir nas licitações do Exército, muitas vezes simulando concorrência ou até mesmo apenas para dar cobertura a outras empresas.

O contador responsável por abrir essas empresas, Luiz Romildo Mello, figura em diversas investigações e foi alvo da Operação Mobília de Ouro do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), que investigou superfaturamento e uso de empresas para fraudar licitações na Secretaria da Educação do Governo do DF.

Empresas como Camaqua Comércio e Serviços, Duas Rainhas Comércio de Artigos Militares, Imperato Comércio de Artigos Militares e Nova Prata Confecções estão sob escrutínio. Com ligações diretas ao contador, algumas delas compartilham endereços e têm o próprio Romildo como sócio ou atuando nos bastidores.

A empresa Duas Rainhas, por exemplo, conquistou um contrato de R$ 9,2 milhões para fornecer macacões ao Exército, consolidando-se como a principal fornecedora. Documentos revelam o envolvimento de empresas vinculadas a Romildo nesse contrato específico, inclusive na parte contábil.

Outras empresas como Camaqua e Nova Prata também participaram de licitações, algumas competindo entre si. A Nova Prata, cujos sócios estiveram envolvidos em esquemas de laranjas, obteve contratos irrisórios de R$ 47 mil, apesar de sua ativa participação em licitações militares.

Com um orçamento considerável de R$ 53 bilhões, o Comando do Exército possui contratos significativos, embora as empresas ligadas a Romildo apresentem uma taxa de sucesso relativamente baixa nas licitações.

Procurados pelo Metrópoles, Luiz Romildo de Mello e Artur Wascheck Neto, outro nome associado às empresas, não se pronunciaram sobre as suspeitas levantadas. Em resposta, o Exército afirmou que os critérios de seleção de empresas seguem a legislação e que estão apurando os dados precisos para fornecerem esclarecimentos adicionais.

O Exército reforçou seu compromisso com a legalidade, transparência e observância rigorosa da legislação vigente em suas ações e na prestação de informações à sociedade brasileira.

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