Cinco policiais militares foram presos acusados da "Chacina de Camaragibe"


Nesta quinta-feira (14), uma operação liderada pelo Grupo de Operações Especiais (GOE) da Polícia Civil de Pernambuco cumpriu mandados de prisão contra cinco policiais militares relacionados a uma série de assassinatos ocorridos em setembro deste ano, no bairro de Tabatinga, em Camaragibe, no Grande Recife.

A investigação indicou que as execuções, que vitimaram membros de uma mesma família, foram motivadas por vingança após a morte de dois militares. Três cabos e dois soldados, alvos da operação batizada de "Sobejo", enfrentam acusações de associação criminosa e homicídio, cujos detalhes e identidades não foram divulgados.

Além das prisões, foram cumpridos 20 mandados de busca e apreensão, resultando na apreensão de armas de fogo e celulares, que serão submetidos a perícia. A ação contou com o apoio da Corregedoria da Secretaria de Defesa Social (SDS) e envolveu 130 policiais civis.

Uma cabo da PM, durante a operação, foi autuada em flagrante por posse de munições de revólver calibre 38 em sua residência. Ela pagou fiança equivalente a um salário mínimo e foi liberada.

O advogado Cézar Souza, representante da Associação de Cabos e Soldados de Pernambuco, considerou as prisões desnecessárias, destacando que os policiais se apresentaram voluntariamente e colaboraram com as investigações. Ele ressaltou a necessidade das buscas e apreensões de celulares para esclarecer o caso, afirmando que a associação aguardará acesso aos autos para fundamentar sua defesa.

Vale lembrar que, em outubro, outra operação, a pedido do Ministério Público de Pernambuco (MPPE), buscou apreender celulares de outros policiais militares envolvidos no mesmo episódio, visando a elucidação dos fatos. 

 Veja a íntegra da nota da Polícia Civil

POLÍCIA CIVIL DE PERNAMBUCO desencadeou na manhã desta quinta-feira, 14/12/2023, a 88ª Operação de Repressão Qualificada do ano denominada "SOBEJO", vinculada à Diretoria Integrada do Especializada – DIRESP, sob a presidência do Grupo de Operações Especiais - GOE, unidade integrante do Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado – DRACCO. A investigação foi iniciada em setembro de 2023, com o objetivo de identificar e desarticular Associação Criminosa envolvida na prática dos Homicídios ocorridos no dia 15 de setembro do corrente ano, em Tabatinga, na cidade de Camaragibe. No dia de hoje estão sendo cumpridos 05 (cinco) Mandados de Prisão e 20 (vinte) Mandados de Busca e Apreensão Domiciliar, todos expedidos pelo Juízo da Primeira Vara Criminal da Comarca de Camaragibe. Na execução estão sendo empregados 130 (cento e trinta) Policiais Civis, entre Delegados, Agentes e Escrivães. As investigações foram assessoradas pela Diretoria de Inteligência da Polícia Civil de Pernambuco – DINTEL, contando ainda com o apoio operacional da Corregedoria Geral da Secretaria de Defesa Social. Os detalhes da referida operação serão divulgados pela Assessoria de Comunicação da Polícia Civil em momento oportuno.


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Um adolescente de 14 anos, atingido de raspão na cabeça durante uma sequência de crimes no bairro de Tabatinga, em Camaragibe, no Grande Recife, prestou depoimento à Polícia Civil na quinta-feira (21). O incidente ocorreu após o assassinato de dois policiais militares na região. O jovem, que não teve sua identidade revelada em conformidade com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), afirmou ter sido alvejado por policiais militares que chegaram à sua residência logo após o caminhoneiro Alex da Silva Barbosa ter matado os dois PMs no local.

SAIBA MAIS: Mortes de policiais gera onda de violência em Pernambuco.

Segundo a Secretaria de Defesa Social (SDS), os PMs haviam respondido a uma denúncia de disparos de arma de fogo em uma comemoração realizada na laje da casa do adolescente. No entanto, a família do jovem alega que Alex da Silva Barbosa não estava presente no momento. A abordagem ocorreu enquanto a avó da família vendia lanches na laje, onde parentes estavam reunidos conversando.

Veja abaixo os relatos do adolescente baleado:

O adolescente relatou que estava tomando banho quando ouviu os primeiros disparos. Em meio ao tiroteio inicial, uma prima grávida foi atingida na cabeça, e o jovem ajudou a colocá-la em um veículo para levá-la ao hospital. Foi nesse momento que mais policiais chegaram ao local, e o adolescente alega ter sido agredido e baleado de raspão na nuca, resultando em afundamento craniano. Ele foi levado a um hospital em uma viatura da Polícia Militar, onde acordou algemado.

Quanto à relação com Alex da Silva Barbosa, o adolescente afirmou que a família apenas o conhecia de vista e que não mantinham uma intimidade próxima com ele.

A SDS declarou que todos os envolvidos no ocorrido em Camaragibe estão sob investigação pelo Grupo de Operações Especiais (GOE). O desfecho desta investigação ainda é aguardado para esclarecer os eventos ocorridos no bairro de Tabatinga na semana passada.

Polícia Civil de Pernambuco inicia depoimentos sobre incidente em Tabatinga, Camaragibe, com foco na busca por justiça. Veja na TV Guararapes. Nesta segunda-feira (18), a Polícia Civil de Pernambuco iniciou o processo de tomada de depoimentos de testemunhas do trágico incidente policial que resultou na perda de oito vidas no bairro de Tabatinga, em Camaragibe, na Grande Recife, ocorrido entre a noite de quinta-feira (14) e a madrugada de sexta-feira (15). As oitivas aconteceram na sede do Grupo de Operações Especiais (GOE), situada no bairro do Cordeiro, Zona Oeste da capital, e se estenderam por aproximadamente seis horas. Cinco familiares de Ana Letícia Carias, de 19 anos, grávida de sete meses, e de seu primo, um adolescente de 14 anos que também foi alvejado no tiroteio e permanece hospitalizado no Hospital da Restauração, foram chamados a prestar seus depoimentos. Segundo relatos dos advogados de defesa das testemunhas, todos ainda estão profundamente abalados com os eventos ocorridos. A advogada Aline Maciel destacou a difícil experiência das testemunhas, afirmando que "foi uma situação muito triste e angustiante, pois eles tiveram que reviver todo o drama que aconteceu em suas casas. Atualmente, enfrentam o risco de perder uma filha, que lamentavelmente já perdeu a visão de um olho, além de ter um sobrinho que ainda se recupera no hospital após terem sido baleados na cabeça". Carlos Augusto, pai de Ana Letícia, também foi ouvido durante a tarde e relatou a agressividade da intervenção policial, que culminou com disparos contra seu veículo. De acordo com o advogado Jean Willian, que também representa a família, seu cliente expressou temor pela própria vida, narrando os momentos aterrorizantes que viveu. Willian contou que "ele ficou profundamente abalado. Disse que foi atingido com arma de fogo e que foi ordenado a fugir, pois supostamente iria encontrar seu caminho. No entanto, ele se recusou a fugir e declarou que, se a intenção era matá-lo, que o fizessem ali, diante dele. Foram momentos de extremo terror em que ele não tinha certeza de que sobreviveria e temia por sua própria vida". Nos relatos das testemunhas, também foi mencionado que sofreram agressões físicas por parte dos policiais naquela fatídica noite. A advogada Aline Maciel revelou que "Carlos Augusto Filho, irmão de Ana Letícia, relatou em seu depoimento que, ao tentar auxiliar seu pai a socorrer sua irmã, no meio do caminho, uma viatura policial os interceptou e os agrediu. Os policiais também dispararam contra o carro do pai, deixando-o com diversos tiros, uma vez que suspeitaram que ambos estavam ajudando a fugir o indivíduo Alex, que teria supostamente matado os dois policiais militares". Agora, a principal preocupação da família de Ana Letícia é garantir paz, segurança e justiça. Aline Maciel afirmou: "Nossa maior preocupação é que o Estado intervenha na situação e assegure a proteção dessa família, evitando que enfrentem o mesmo destino da família de Alex da Silva". O advogado Jean Willian acrescentou: "Daqui em diante, buscaremos garantir a segurança da família e pressionaremos as autoridades a garantir justiça, de modo que aqueles que agiram excessivamente contra Carlos Augusto Filho paguem por seus atos. Aqueles que atiraram contra o carro do pai também devem ser responsabilizados. Todos os envolvidos que demonstraram excesso em suas atividades policiais devem responder por suas ações. A família anseia por justiça, nada mais". Investigações da Polícia Civil Durante a manhã desta segunda-feira, autoridades responsáveis pelas investigações se reuniram com a Corregedoria da Secretaria de Defesa Social (SDS-PE), o Ministério Público e a chefia de polícia. O delegado Ivaldo Pereira afirmou: "Existe uma colaboração significativa entre os órgãos do Estado, uma união de esforços para solucionar rapidamente esse caso, determinar a culpa dos responsáveis e garantir que aqueles envolvidos possam responder por seus atos". As investigações tiveram início no final de semana, mas apenas nesta tarde a equipe responsável pelo caso retornou ao local do incidente para coletar evidências que auxiliarão no inquérito policial. O delegado acrescentou: "Fomos ao local para compreender a dinâmica dos eventos que ocorreram na região, buscar câmeras de segurança e outras formas de prova que possam contribuir com a investigação". Está previsto que na terça-feira (19), pessoas relacionadas a Alex Silva serão ouvidas pela Polícia Civil, com o objetivo de aprofundar a compreensão do caso. O delegado Ivaldo Pereira destacou: "Queremos entender o motivo de sua reação à ação policial, determinar se houve alguma irregularidade no local, entender a dinâmica dos eventos, determinar quem disparou primeiro, e examinar as ações de todos os envolvidos naquela noite. Continuaremos a diligência para esclarecer todos os fatos".

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