Chacina de Camaragibe: Oficiais são afastados após prisões de PMs

Em decorrência da operação da Polícia Civil que resultou na prisão de cinco policiais militares suspeitos de envolvimento na sequência de assassinatos ocorrida em setembro em Tabatinga, Camaragibe, uma decisão judicial divulgada nesta quinta-feira (14) determinou o afastamento de mais sete PMs de suas funções. A decisão, decorrente de pedido do Ministério Público de Pernambuco (MPPE), visa a assegurar a integridade da investigação paralela conduzida pelo MPPE em relação ao caso.

O MPPE, em nota, afirmou que as medidas cautelares, incluindo os afastamentos, são essenciais devido às condutas dos PMs durante os crimes e à posição funcional que ocupam, podendo influenciar na continuidade da investigação. Os nomes, idades e batalhões dos oficiais afastados não foram divulgados, pois o procedimento do MPPE está sob sigilo de justiça.

As investigações apontam que os assassinatos de membros de uma mesma família foram motivados por vingança após a morte de dois militares. Três cabos e dois soldados foram alvos da operação conduzida pelo GOE, que contou com apoio da Corregedoria da Secretaria de Defesa Social (SDS) e envolveu 130 policiais civis.

Durante a operação, uma cabo da PM foi autuada em flagrante por posse de munições de revólver calibre 38, pagando fiança de um salário mínimo e sendo liberada. Até o momento, a Polícia Civil não forneceu mais informações sobre a operação.

O advogado Cézar Souza, representante da Associação de Cabos e Soldados de Pernambuco, considerou as prisões desnecessárias, destacando que os policiais se apresentaram voluntariamente. Ele ressaltou a necessidade das buscas e apreensões de celulares para elucidar o caso, afirmando que a associação aguardará acesso aos autos para fundamentar sua defesa.

Nota do Ministério Público de Pernambuco


Em decorrência do que foi apurado no procedimento de investigação criminal que tem como objeto os fatos ocorridos nas cidades de Camaragibe e Paudalho, entre os dias 14 e 15 de setembro de 2023, o Ministério Público de Pernambuco, por meio da Promotoria de Justiça Criminal de Camaragibe, do GACE - Controle Externo da Atividade Policial e do Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), requereu e teve deferidas judicialmente medidas cautelares diversas da prisão (afastamento de suas atuais funções públicas - art. 319, VI, do Código de Processo Penal) em relação a pessoas que, pelas condutas que tiveram durante a perpetração dos crimes e pela posição funcional que ocupam, podem influenciar na continuidade da investigação.

Ademais, o acompanhamento do inquérito policial instaurado pela Polícia Civil para elucidar os fatos reforçou a avaliação dos membros do Ministério Público de que é preciso assegurar condições jurídicas e de fato para que os próximos atos investigatórios se deem em ambiente isento de quaisquer interferências que comprometam sua eficácia.
Todas as medidas, além da necessária obediência aos padrões constitucionais e legais, se deram dentro do espírito colaborativo que deve nortear as relações institucionais. 

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