Após mudanças em normas, 8 entre 10 geladeiras não serão mais vendidas

 

O Governo Federal implementou alterações significativas no mercado de refrigeradores, impactando diretamente a disponibilidade desses eletrodomésticos. De acordo com dados do Imetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia), as mudanças estabelecidas irão proibir a comercialização de cerca de oito em cada dez geladeiras registradas, totalizando 81,25% dos produtos.

Entre as 528 geladeiras registradas, contemplando refrigeradores e refrigeradores-congeladores de 110 V ou 220 V, apenas 99 (18,7%) atendem ao novo padrão estabelecido, exigindo uma eficiência energética mínima de 85,5%. O prazo estipulado para essa adequação é até 31 de dezembro, e a partir de 2025, espera-se que 90% das geladeiras atendam a esse requisito.

Segundo a Eletros (Associação Nacional dos Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos), responsável por fabricantes da linha branca, cerca de 83% das unidades produzidas atualmente não estão em conformidade com essa exigência, o que impactará diretamente na oferta disponível para os consumidores. A associação estima que somente os modelos de alto padrão, com preço mínimo entre R$ 4.000 e R$ 5.000, estarão disponíveis no mercado. Atualmente, os refrigeradores têm um valor de entrada em torno de R$ 2.000.

Renato Alves, diretor da associação, expressou preocupação com os efeitos dessas medidas, especialmente para os consumidores de baixa renda e para a indústria, prevendo desinvestimentos e perda de empregos nos próximos meses. Apesar dos alertas técnicos apresentados ao governo, as preocupações levantadas não foram consideradas.

A resolução do Ministério de Minas e Energia (MME) estabelece um prazo até 31 de dezembro de 2025 para que varejistas e atacadistas comercializem produtos que não atendam ao padrão mínimo de eficiência energética. No entanto, o ministério contestou as projeções da Eletros, classificando-as como "inverídicas e irresponsáveis".

O ministério liderado por Alexandre Silveira assegurou que a norma não retirará nenhum equipamento do mercado até 2026, permitindo tempo suficiente para a adaptação da indústria. Dos 25 modelos de refrigeradores de uma porta, 17 estão em conformidade com as normas estabelecidas, enquanto apenas oito não atendem aos requisitos. No entanto, segundo o ministério, esses modelos podem passar por adaptações para cumprir os novos padrões.

Além disso, o MME afirmou que a utilização de geladeiras mais eficientes resultará em economia direta e positiva na conta de luz. Segundo o órgão, essa economia é especialmente relevante para as famílias de baixa renda, visto que 39% das despesas domésticas mensais são destinadas à eletricidade, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A geladeira é apontada como o item de maior consumo energético nessas residências.

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