Operação conjunta causa grande prejuízo ao PCC

 

Uma ação coordenada entre a Marinha do Brasil, a Polícia Federal e autoridades dos Estados Unidos resultou na Operação Dontraz, iniciada em 2022, visando a desestabilização de uma rede de narcotráfico. A ação surpreendeu uma frota de navios na Rota Transatlântica, interceptando mais de dez toneladas de cocaína e resultando na prisão de mais de 30 acusados de transportar drogas do Brasil para a Europa.

A operação teve seu marco inicial quando o pesqueiro Palmares 1 foi avistado pela Marinha, a cerca de 33 quilômetros da costa pernambucana. O navio foi abordado pelas autoridades militares e pela Polícia Federal, resultando na apreensão de 3,6 toneladas de cocaína transportadas por cinco tripulantes. A droga, avaliada em US$ 5 mil por quilo no Brasil, atinge o valor de cerca de US$ 50 mil por quilo ao chegar à Europa, seu destino final.

Esta apreensão foi a terceira grande operação em uma investigação que já durava mais de dois anos, desferindo um impacto significativo na Máfia dos Bálcãs, uma das maiores organizações criminosas do mundo. Um total de 10,2 toneladas de drogas foram interceptadas no Oceano Atlântico pelas Marinhas do Brasil e dos EUA. A ação resultou na apreensão de três pesqueiros e quatro lanchas rápidas usadas para abastecer a frota marítima do grupo.

A parceria entre as Justiças do Brasil e de Cabo Verde foi um ponto relevante da investigação. Um acordo permitiu o uso automático de provas criminais em casos de crimes transnacionais, agilizando as cooperações internacionais. O desdobramento levou à prisão de 18 membros das tripulações dos barcos no Brasil e em Cabo Verde, incluindo dois montenegrinos.

A Operação Dontraz resultou na prisão de 18 acusados adicionais no Brasil, incluindo um dos líderes da organização, o empresário sérvio Aleksandar Nesic, enquanto três acusados permanecem foragidos. Ao todo, foram cumpridos 41 mandados de busca e apreensão em cinco estados brasileiros e decretado o sequestro de carros, barcos e imóveis pela Justiça Federal.

Os prejuízos estimados para a organização sérvia no mercado brasileiro de cocaína atingem cerca de R$ 255 milhões, mas, se considerados os valores europeus, chegam a R$ 2,5 bilhões, representando um duro golpe para os líderes, como os narcotraficantes Goran Nesic e Darko Saric, ligado ao clã Kavac, este último considerado um dos traficantes mais ricos do mundo.

A facilidade da organização para o tráfico marítimo estava vinculada à presença de integrantes da antiga Iugoslávia nas tripulações dos navios mercantes, segundo informações da Polícia Federal.

A investigação revelou ainda a participação do Primeiro Comando da Capital (PCC) no suporte logístico ao grupo sérvio. O Núcleo Logístico da Baixada Santista, ligado ao PCC, foi identificado como parte integrante da operação criminosa na Rota Transatlântica.

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