PM que matou namorada vira réu

 

Na terça-feira, dia 15, a Justiça aceitou a denúncia encaminhada pelo Ministério Público contra o cabo da Polícia Militar Jaleson de Santana Freitas, de 37 anos, apontado como o responsável pelo feminicídio de sua namorada, Simeia da Silva Nunes, de 33 anos, promotora de vendas. O trágico incidente ocorreu em Carpina, na região da Mata Norte de Pernambuco.

Os fatos se desenrolaram no final de julho deste ano, quando as câmeras de segurança registraram o crime durante a saída de um bar. Nas imagens, é possível observar a vítima sentada em uma mesa do estabelecimento, acompanhada pelo seu namorado, o policial militar. Uma discussão se inicia, culminando com o PM empurrando a mulher, que quase cai da cadeira. A situação se agrava quando ele a puxa pelos cabelos, a derruba no chão e a atinge com chutes na cabeça.

Os registros em vídeo mostram ainda a vítima conseguindo se levantar e saindo do bar. Ela busca a ajuda de um mototaxista nas proximidades. No momento em que tenta subir na moto, o policial militar passa em um carro branco e dispara múltiplos tiros. Simeia foi atingida no peito, enquanto o mototaxista, de 38 anos, foi baleado no braço esquerdo e na coxa esquerda. Ambos foram socorridos, porém a mulher não sobreviveu.

O cabo Jaleson foi formalmente acusado de homicídio quadruplamente qualificado – por motivo fútil, uso de meio cruel, emprego de recurso que dificultou a defesa da vítima e feminicídio. Além disso, ele também enfrenta uma denúncia de tentativa de homicídio qualificado, relacionada ao mototaxista que foi baleado.

O juiz responsável pela decisão, André Rafael de Paula Batista Elihimas, da Vara Criminal da Comarca de Carpina, destacou em sua determinação que as testemunhas ouvidas na delegacia identificaram o réu como o autor dos disparos. Elas fizeram o reconhecimento após assistirem aos vídeos das agressões físicas e dos tiros que se espalharam pelas redes sociais. A presença das imagens das câmeras de segurança, anexadas ao processo, reforçou a força das evidências testemunhais.

O magistrado também enfatizou a periculosidade do réu, apontando para o uso de uma arma de fogo que amplificou a letalidade do ataque, diminuindo significativamente as chances de sobrevivência da vítima. Portanto, a prisão preventiva do policial militar foi mantida pelo juiz.

Por sua vez, a Secretaria de Defesa Social (SDS) tomou a decisão de afastar Jaleson de Santana Freitas de suas funções públicas por 120 dias, embora ele já esteja preso preventivamente. A SDS alega que essa medida tem como objetivo principal preservar a ordem pública, considerando os indícios de conduta incompatível com suas responsabilidades profissionais. Este afastamento cautelar pode ser prorrogado, conforme a portaria emitida nesta quinta-feira, dia 17.

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