Falta de obras contra inundações no Grande Recife chama atenção

 

Com informações da Folha de Pernambuco


A escassez de investimentos em infraestrutura para prevenção de inundações nas últimas duas décadas tem chamado a atenção no Grande Recife, diante da recorrência anual de temporais na Região Metropolitana. Um dos municípios mais afetados é Jaboatão dos Guararapes, que tem enfrentado inundações cada vez mais intensas ao longo dos anos. Em maio de 2022, algumas áreas de Jaboatão dos Guararapes registraram um volume de chuvas de 788 milímetros, o que representa um aumento de 150% em relação à média histórica. Em Moreno, o acumulado mensal chegou a 696 milímetros, ultrapassando a média em 162%. Ambas as cidades sofrem com o transbordamento do rio Jaboatão.

A situação se agravou este ano, com o transbordamento do rio Jaboatão em 14 de junho, deixando famílias desabrigadas nas localidades de Marcos Freire e Muribeca, em Jaboatão dos Guararapes, além de diversos bairros de Moreno, com destaque para Olaria. Dezenas de residências foram atingidas, obrigando as famílias a deixarem suas casas.

As últimas grandes intervenções para evitar enchentes no Grande Recife ocorreram entre o final dos anos 1970, como resposta à cheia de 1975 na capital, e meados dos anos 1990, com obras realizadas no canal do Jordão. No entanto, desde então, observa-se uma falta de conclusão ou mesmo de implementação de projetos importantes. O engenheiro Kleiton Lins, diretor técnico da Moura Lins Engenharia e especialista em Infraestrutura de Transportes e Hidrologia, critica essa situação: "Nos últimos anos, temos apenas projetos que não saem do papel ou ficam inacabados, o que é preocupante." Desde o período pós-1975, foram construídas barragens essenciais, como a de Carpina, inaugurada em 1975, e a de Jucazinho, concluída em 1998 em Surubim. Essas obras foram fundamentais para controlar o rio Capibaribe e reduzir as inundações na região metropolitana. No entanto, nos últimos anos, projetos importantes para conter o impacto das chuvas foram abandonados ou permanecem inacabados, como é o caso da barragem do Engenho Pereira, essencial para controlar o rio Jaboatão e prevenir inundações em cidades como Jaboatão dos Guararapes e Moreno.

Localizada em Moreno, a construção da barragem, sob responsabilidade do governo estadual, foi iniciada em 2013, mas está parada desde 2014. Até o momento, foram investidos aproximadamente R$ 50 milhões em desapropriações e terraplanagem, mas pouco progresso foi feito no projeto em si. Estima-se que sejam necessários mais R$ 50 milhões para sua conclusão. Quando finalizada, a barragem terá capacidade para armazenar 25 milhões de metros cúbicos de água, o que contribuiria significativamente para a prevenção de enchentes na região.

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