Denúncia de furto de pedras calcárias em sítio arqueológico de Olinda

 

Um morador do Sítio Histórico de Olinda trouxe à tona uma denúncia preocupante, relatando que pedras calcárias, que poderiam ter interesse arqueológico, estavam sendo furtadas de uma obra no bairro do Carmo, na cidade de Olinda. Segundo ele, o descaso do poder público em isolar o local permitiu que essas pedras fossem esculpidas e vendidas no Mercado da Ribeira.

A prefeitura de Olinda, por sua vez, afirmou que não é possível afirmar que o material esculpido tenha sido retirado da referida obra. Diante dessa situação, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) visitou o local e a Polícia Federal foi acionada para investigar o caso.

Conforme informado pela própria Prefeitura de Olinda no dia 1º de junho, a Secretaria de Obras do município descobriu as pedras por acaso durante uma intervenção na Ladeira da Sé, enquanto realizava manutenção hidráulica. Essas pedras calcárias, possivelmente datadas dos séculos 17 e 18, teriam sido utilizadas no início da urbanização de Olinda.

Entretanto, conforme denúncia de moradores da região, o local não foi adequadamente isolado e que as pedras não foram prontamente retiradas quando foram descobertas, no final de maio. Posteriormente, as pedras teriam sido retirado por terceiros e estariam sendo comercializadas no Mercado da Ribeira.

A prefeitura declarou que seu objetivo é estabelecer uma parceria entre a Secretaria de Patrimônio e a Secretaria de Obras para uma pavimentação conjunta, de forma que as pedras calcárias permaneçam visíveis, permitindo que toda a população conheça sua própria história.

Segundo o Iphan, a equipe de Arqueologia visitou o local após ter sido informada informalmente sobre a descoberta por um arqueólogo da Secretaria de Cultura de Olinda. O Iphan informou que durante a visita constatou-se que a abertura da rua na Ladeira da Sé, para fins de reforma, revelou pisos de ocupações antigas com alto potencial arqueológico. Além disso, foram identificados fatores que poderiam causar danos a esses pisos, como a chuva e o possível furto das pedras.

Como medida imediata, o Iphan recomendou o isolamento da área com lona e o preenchimento com camadas de sedimento. A longo prazo, caso a rua seja reformada, será necessário apresentar um projeto arquitetônico e realizar acompanhamento arqueológico.

Segundo o Iphan, uma nova inspeção foi realizada no local em 21 de junho, e constatou-se que uma equipe de operários da prefeitura está trabalhando no local e que a pavimentação de paralelepípedos está sendo recolocada nos trechos onde não foram encontrados achados arqueológicos.

A Polícia Federal confirmou que recebeu a denúncia do furto das pedras, mas optou por não se pronunciar a fim de evitar prejudicar possíveis investigações em andamento.

Postar um comentário

O comentário é de total responsabilidade do internauta que o inseriu.

Postagem Anterior Próxima Postagem